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sábado, 7 de junho de 2014

Objeto de Aprendizagem: Fazenda Rived




domingo, 3 de junho de 2012

Atividades lúdicas estimulam o cérebro


A maioria das crianças se assemelha àquele coelhinho que bate tambor no comercial da pilha que “duuura”: parecem ter uma energia sem fim, que usam para fazer coisas aparentemente sem muito sentido. Por que passar tanto tempo correndo, pulando uns sobre os outros, ou brincando de morto-vivo ou batatinha-frita? Parecem brincadeiras bobas que servem apenas para divertir as crianças e fazê-las correr. Mas esses jogos fazem muito mais: oferecem um enorme playground para o cérebro aprender por tentativa e erro e ainda são um grande treinamento social para os futuros estresses da vida adulta.
Considere, por exemplo, as brincadeiras tradicionais da infância. Estas são um excelente exercício para o córtex pré-frontal em formação, aquela parte do cérebro que organiza nossas ações, faz planos, elabora estratégias e, sobretudo, diz “não” às respostas impulsivas do cérebro. Crianças pequenas ainda não fazem nada disso muito bem, com seu pré-frontal imaturo, de modo que qualquer “aula” de organização é bem-vinda, a começar pelo bê-á-bá: escolher a resposta certa para cada estímulo. Brincando de lenço atrás, o cérebro aprende que deve responder a um objeto atrás das costas fazendo a criança correr atrás da outra. Enquanto aprende, o cérebro de quebra se diverte com seus erros, o que garante muitas horas de brincadeira – e aprendizado.
Se escolher a resposta certa é importante, não responder quando não se deve também é fundamental, mas já exige um nível de elaboração maior do pré-frontal. Aos 3 anos, meu filho brincava de morto-vivo sem o menor problema, mas o cérebro dele ainda apanhava nas brincadeiras de “nível 2”, que exigem que não se faça alguma coisa ao ouvir um comando. No esconde-esconde, bastava perguntar “Cadê você?” que ele se entregava, lá do seu esconderijo: “Tô aqui!”. Com tempo, prática e muita brincadeira, o córtex pré frontal vai aprendendo que às vezes a ação correta é a não ação.
O passo seguinte é elaborar estratégias que juntam ação e não ação. Quando morto-vivo e batatinha-frita se tornam triviais, brincadeiras como pique-bandeira e depois os esportes organizados dão ao cérebro o desafio de monitorar várias pessoas ao mesmo tempo, decidir quando é o momento de correr e, ainda, driblar o adversário.
O prazer e motivação das brincadeiras da infância vêm da ativação nas alturas do sistema de recompensa, que premia o cérebro que faz algo que dá certo, e assim faz qualquer coisa parecer interessante. Daí vem o “modo de auto-entretenimento” talvez universal em filhotes, capazes de passar horas em seu próprio mundo. Pois é: filhotes de ratos brincam; filhotes de elefante rolam na lama; cachorrinhos e filhotes de leão se amontoam, mordendo-se na nuca ou nas orelhas, em brigas de mentira.
Além de aprender na prática a controlar a si mesmo, o cérebro de quem brinca aprende formas mais saudáveis de regular suas respostas ao estresse. Ratinhos criados em isolamento ou com irmãos sedados demais para brincar tornam-se adultos ansiosos e estressados: em situações ameaçadoras, os animais que não brincaram na infância são mais dados a arroubos de agressividade ou, ao contrário, a se esconder. O mesmo acontece com primatas, entre eles os humanos. A brincadeira bruta expõe os filhotes a pequenos estresses, com os quais eles vão aprendendo a lidar desde cedo. Assim quem sabe um dia eles possam considerar seus problemas adultos “brincadeira de criança”...
Fonte: Mente e Cérebro

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Contribuições da música para o desenvolvimento infantil



A música tem uma contribuição significativa no desenvolvimento da criança, desde dentro do útero da mãe. A música já é percebida pela criança até mesmo durante a gestação, assim, o envolvimento das crianças com o universo sonoro começa antes do nascimento. 
Quanto maior for a riqueza de estímulos musicais de qualidade que a criança for exposta melhor será seu desenvolvimento intelectual. Em relação ao desenvolvimento psicomotor, as atividades práticas musicais ensejam o aprimoramento de sua habilidade motora, e a criança ainda aprende aos poucos a controlar seus impulsos, aprimorando o equilíbrio do seu sistema nervoso. No entanto, é fundamental que o ensino de Musica seja feito de modo agradável e divertido, para que tenha efeito positivo, tanto para quem ensina como para quem aprende. 
É comum os pais se questionarem quanto a idade ideal para iniciar seus filhos na aprendizagem de um instrumento musical. No entanto, é importante que se compreenda que o processo de musicalização deve ser anterior ao aprendizado de um instrumento específico. Muitas escolas já desenvolvem esse trabalho, que se constitui basicamente na vivência e sensibilização musical e, posteriormente à alfabetização, iniciar as aulas de instrumento e de leitura musical. 
Aprender a tocar um instrumento musical na infância contribui no desenvolvimento da criança de maneira global. A música é importante para o neurodesenvolvimento da criança e de suas funções cognitivas. Muitos estudos já demonstraram que a prática musical faz com que o cérebro funcione em rede, exigindo a atenção dos sentidos de forma simultânea - visão, audição, tato, etc - e potencializa a aprendizagem cognitiva, principalmente em relação ao raciocínio lógico, a memória, concentração, espacialidade e o raciocínio abstrato. Por outro lado, o cérebro infantil também poderá ser estimulado intensamente pelo contato com uma boa música, por meio de apreciação, ou seja, ouvindo-a com atenção e propriedade percebendo as nuances, entendendo a forma da sua composição. A presença da musica na infância auxilia a percepção, estimula a memória e a inteligência, relacionando-se ainda com as habilidades linguísticas e lógico/matemática, além de contribuir com o desenvolvimento psicomotor e socioafetivo da criança, independente de sua faixa etária. 
Para finalizar é importante destacar que é de responsabilidade dos pais cuidar do repertório musical dos filhos, principalmente na primeira infância. Para isso, podemos fazer uma analogia em relação aos princípios de uma alimentação saudável: comer um fast food, de vez em quando, não faz mal a ninguém, desde que a alimentação básica do dia-a-dia seja realizada a partir de uma dieta balanceada, rica em verduras, frutas, cereais e proteínas. Da mesma maneira, os prejuízos de se ouvir música descartável, os “rits” da moda na TV ou no rádio, podem ser minimizados se, em casa, os ouvidos e cérebros de seus filhos forem “nutridos” com música rica, estimulante e de boa qualidade.

Juliana Dalbem Omodei
Pedagoga, Psicopedagoga, Mestranda em Educação